O papel da prosódia no processamento do discurso em língua portuguesa: estudo com técnicas experimentais on-line

Em geral, a estrutura do discurso escrito é clara por conta do uso de convenções tipográficas, tais como a pontuação e a organização do texto em parágrafos. O discurso falado faz, evidentemente, uso de outros mecanismos para sinalizar sua estrutura. Alguns estudos tem apontado que a prosódia é um dos principais elementos delimitadores de estruturas discursivas na oralidade (GELUYKENS; SWERTS, 1994; GROSZ; HIRSCHBERG, 1992; PASSONNEAU; LITMAN, 1997).

De acordo com esses estudos, as unidades discursivas da fala são geralmente separadas por meio de elementos prosódicos, tais como a pausa, a entoação e a velocidade da fala. O uso de tais elementos prosódicos contribui claramente para a identificação semântica das unidades discursivas, assim como explicita quais as intenções do falante para com sua audiência. Isso facilita o processo da comunicação. Este estudo procura investigar a associação entre a percepção da prosódia como marca de segmentação discursiva e eventos oculomotores e cerebrais a ela associados.

Com o advento de técnicas experimentais on-line não-invasivas e seguras, como o rastreamento ocular, a eletroencefalografia (EEG) e a ressonância magnética funcional (fMRI), tem havido um crescente interesse em investigar processos reflexos e inconscientes que dizem respeito aos primeiros momentos do processamento da linguagem (PRIETO, 2012).

Mediante a utilização desses equipamentos, é possível registrar eventos oculomotores significativos, mapear a atividade cognitiva, rastreando a hemodinâmica cerebral (movimentação do sangue e seus elementos no cérebro) – o que permite identificar as regiões do cérebro que são ativadas no processo da percepção, e aferir a ativação elétrica relacionada a estímulos – o que possibilita obter dados de reação a estímulos com grande precisão temporal, visto que a eletricidade se move muito rapidamente – ainda mais rapidamente que os eventos oculomotores.

Trata-se de um estudo inovador em pelo menos dois importantes aspectos: (i) a utilização de dados naturalísticos em pesquisa com potenciais bioelétricos relacionados a eventos, (ii) a utilização de paradigma experimental on-line para o estudo da prosódia como marca de estruturação do discurso em língua portuguesa.

Ebson Wilkerson Rocha da Silva

Fonética; Psicolinguística / Maceió, AL

Mestre em Linguística e atualmente doutorando em Linguística pela Universidade Federal de Alagoas – UFAL. Membro do grupo de estudos em Fonética e Fonologia (Fonufal). Atua principalmente nas seguintes áreas: prosódia, fonética experimental e psicolinguística.

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